Como ser um líder transformador na educação?

06 de Outubro de 2015 | Notícias

Luiz Felipe d'Avila Por Luiz Felipe d'Avila

A péssima qualidade da Educação brasileira está condenando uma geração de jovens à miséria e ao subemprego e contribuindo para retardar o desenvolvimento econômico do país. Metade dos jovens brasileiros que está na escola não termina o ensino médio e, para agravar a situação, há um outro terço dos jovens estão fora do sistema educacional. Trata-se de um desastre nacional que precisa ser enfrentado urgentemente. Afinal, a produção de conhecimento já representa 2/3 do PIB dos países desenvolvidos.

Sem educação, não haverá conhecimento acumulado. Sem conhecimento acumulado, não conseguiremos produzir serviços de maior valor agregado e produtos de alta complexidade. Seremos mero exportadores de commodities e permaneceremos na base da pirâmide do desenvolvimento econômico. Nesse caso, estamos condenados ao subdesenvolvimento e não teremos meios de gerar riqueza nacional que nos permita transformar o Brasil num país de renda média.

Há muitos desafios de liderança a ser enfrentado na educação. Sabemos que não é fácil desafiar as pessoas a rever crenças e valores obsoletos que ainda governam as políticas, as atitudes e a mentalidade de educadores, professores e governantes responsáveis pela formulação e implementação de políticas educacionais. Estamos cientes de que é preciso coragem e determinação dos governantes e da sociedade para enfrentar os obstáculos que dificultam a revisão de idéias, “direitos” e privilégios que prejudicam a melhoria da qualidade da educação. Mas um dos principais deveres de um líder é fazer as pessoas a enfrentar os reais problemas que, na educação, são muitos.

Primeiro, necessitamos formar bons professores e diretores de escola e resgatar o prestígio e importância dessas carreiras. Segundo, é imperioso enfrentar o corporativismo da Educação que retarda a inovação, dificulta a atração de gente talentosa e prejudica a realização de experimentos locais e regionais que são vitais para oxigenar a necrosada educação brasileira. Terceiro, temos de criar um currículo básico nacional que deve nortear o aprendizado básico, mas sem deixar de permitir que governos regionais testem políticas locais que ajudem a melhorar a qualidade do aprendizado. Finalmente, é vital estabelecer metas claras e critérios de mensuração de resultado que permitam governantes, educadores, pais e alunos compreenderem claramente se estamos atingindo os objetivos esperados da nossa política nacional.

O Índice de Oportunidade de Educação Brasileira (IOEB) foi criado para mensurar a qualidade e eficiência da educação nos estados e municípios. Ao combinar os indicadores da educação (Prova Brasil, Ideb, taxa líquida de matrícula, por exemplo) com a avaliação da eficácia do desempenho das escolas nos estados e municípios, é possível contribuir para a melhoria dos mecanismos de accountability da educação básica e oferecer aos pais e alunos critérios objetivos para avaliar e selecionar escolas na sua cidade ou região que oferecem as melhores oportunidades educacionais para seus filhos.

O propósito do IOEB é oferecer ferramentas que ajudem a empoderar o cidadão a fazer escolhas criteriosas e aumentem as formas de accountability dos governantes e dos gestores educacionais. Essas são medidas essenciais para contribuir com a melhoria da qualidade da educação no Brasil.